Segundo relatos que foram passando de geração a geração, o olho d’água de Guaribas é conhecido desde o século XVIII, quando aqui chegaram os primeiros habitantes. É um olho d’água que brota das rochas do alto da Serra das Confusões.
Contam que ninguém sabia de onde vinha esta água. Até que alguns curiosos resolveram subir ao alto da serra, para saber de onde brotava a água. Chegando lá, avistaram uma criatura de cabelos longos, mulher da cintura para cima e peixe da cintura para baixo, sentada no coar. Para a comunidade coar é uma rocha vermelha que solta um pó avermelhado. Daí eles começaram a espalhar, dizendo que era a Mãe D’água. O verdadeiro olho d’água era formado de água que escorria no coar. E eles costumavam dizer que nem morto bebiam daquela água. Neste período as pessoas não utilizavam a água da Mãe D’água e sim do Pinga, que brotava de outra pedra ligada a Mãe D’água.
A mãe d’água serviu por muitos anos como lugar de tomar banho. As pessoas subiam até lá para banhar e lavar roupas, deixando sempre as águas avermelhadas, devido o pó que soltava da rocha. Com o aumento da população e não tendo outro lugar para apanhar água, os homens do povoado resolveram limpar a mãe d’água para minar mais água e abastecer as famílias. Por ser um costume da região e considerado serviço de mulher, as mulheres passavam dia e noite na Mãe D’água esperando minar água para beber, cozinhar e lavar roupas. Este líquido tão precioso era regrado. Um litro de água para cada criança banhar, dois ou três para o pai e a mãe. Para lavar roupas teriam que colocar todas as roupas numa bacia e ensaboar uma a uma, aproveitando a mesma água. Quando a família era grande e a água cada vez mais difícil, as mães saiam para lavar roupas em outros olhos d’água da redondeza, levando as crianças, andavam até seis quilômetros a pé.
As mulheres pegavam água na cabeça com cabaças, latas de querosene e baldes de zinco. Saiam às três horas da tarde e chegavam as dez da noite. Quando chegavam no olho d’água a fila estava enorme. Uma enchia a vasilha, depois a outra, sempre por ordem de chegada. O desespero era tanto que muitas famílias brigavam, querendo encher as vasilhas antes das que já estavam lá, porque o filho chorava de sede em casa. Moisés, 12 anos de idade, filho de Adacélia aluna do SESC LER quase nasceu no olho d’água a noite.
Publicado por:Ascom SESC/PI
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